sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MAIS FORTE



É um vício, é uma droga, é mais forte do que eu. Estou guardando meus escritos para quem sabe publicar, participar de concursos literários, para a posteridade, se é que alguém vai se interessar em ler alguma coisa do que escrevi no futuro. Mas o fato é que aqui fiquei sem postar por muito tempo, pra quem o fazia quase que diariamente.
Tento passar o tempo reescrevendo velhos textos, me iludindo de que tenho um romance em execução, trabalhando sobre meus contos, lendo, lendo de tudo, discutindo sobre política, e ainda assim, tudo que penso é em postar algo em meu blog. Pois virou meu mundo, me espaço de expressão, meu único canto de liberdade, de vida, única parte que funciona na complexa e alquebrada engrenagem que sou eu.

É mais forte do que eu a necessidade de comunicar-me com quem nem sei se visita este blog. Bom, o contador diz que visitam isto aqui, mas provavelmente o dispositivo conta todas as vezes que entro aqui, edito, reedito, troco imagens e vídeos, reformo, transformo, compulsivamente melhoro o blog, pois algo eu TENHO QUE MELHORAR, e já que não consigo melhorar a mim mesma, ser uma pessoa melhor, uma profissional mais eficiente, uma docente sem medo dos discentes, uma mulher mais bonita, mais sexy, mais atraente,uma esposa melhor, mais companheira, mais amiga, uma mãe, bom, que pelo menos meu blog preste, que ao menos este resquício de parte do que eu sou e penso, este loteamento na terra de nínguém chamada internet seja um pedaço bom, bonito, agradável, leve, todas as coisas que eu já fui e não sou mais e tenho um sentimento de que jamais voltarei a ser.
Morro um pouco a cada dia, e quem me conhece vê parte por parte de mim se desvanecendo. Por eles, pelos que me amam, e são tão poucos (por minha causa), eu luto para recuperar os pedaços caídos e colar com durex, cola, superbonder, grude, cuspe, o que quer que seja. Mas não consigo me consertar, apenas fazer um mosaico de mim mesma, tão disforme e feio que nem eu mesma me reconheço.
Estou à beira do abismo, juntando coragem - ou pra dar um passo atrás e retomar caneta, papel, teclado e tela ou para dar dois passos à frente e me perder no vazio.

De vez.

Não quero ser assim, não posso ser assim, não devo ser assim.

Mas é mais forte do que eu.

Um comentário:

  1. É que no dia a dia, temos que ser os profissionais, amigos, pais, filhos, irmãos... falta tempo para sermos nós mesmos.

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